Sinteps soma-se à campanha em defesa da professora Mara e aciona Ceeteps contra perseguição política e pedagógica

O Sinteps acionou a Comissão Permanente de Orientação e Prevenção contra o Assédio Moral e Sexual (COPAMS), órgão do Centro Paula Souza criado a partir da luta do Sindicato, e no qual tem representação, a investigar um conjunto de fatos ocorridos na ETEC de Franco da Rocha, envolvendo a professora Mara Cristina Gonçalves da Silva.

As denúncias são gravíssimas e envolvem ameaças à vida da docente. A COPAMS comprometeu-se a instaurar uma comissão sindicante para averiguar a situação in loco.

Mara começou a sofrer ameaças explícitas de alguns estudantes da ETEC de Franco da Rocha, que são publicamente vinculados a um movimento de orientação neonazista da microrregião de Franco da Rocha, Caieiras, Mairiporã e Francisco Morato, que faz apologia a campos de concentração, torturas e assassinatos. Em abril deste ano, ela tomou conhecimento da existência de um grupo nas redes sociais, autointitulado “Viva a Revolução! Morte à Mara”, existente desde 2018.

No grupo, foram encontradas postagens com críticas ao método de ensino da docente, às bibliografias indicadas para leitura e trabalhos, ofensas pessoais, palavrões e incitação a agressões e atentados contra ela, com frases como: “Morte à Mara”; ”A Mara é fã do meu soco na boca dela”; ”Morte à Mara: esse é meu slogan já, todos os meus discípulos têm que falar isso”; ”Eu vou matar essa velha desgraçada, ela consegue acordar meu Hitler interior. Eu vou fazer um gás caseiro, seguir ela até a casa dela e jogar lá dentro. Quando ela sair, eu vou tá esperando na porta da frente com uma machete”; ”Por mim, a gente joga o surdo [estudante da mesma classe] na mesma câmara de gás que a Mara”; ”Vou marcar ela com ferro de gado escrito ”FICHAMENTO” na testa”; “É só falar que vai demonstrar como era nos campos de concentração”; “(…) Para terminar, se tem uma coisa que eu quero de Natal é que você morra de uma forma pelo menos um pouco dolorosa (...)”.

As agressões não ficaram restritas ao mundo virtual. Os muros da vizinha à residência da docente foram pichados com a sigla do grupo MAM = Morte a Mara.

Diante da situação, a professora Mara entrou com requerimento junto à direção da unidade, reivindicando a rigorosa apuração dos fatos e a transferência compulsória dos alunos envolvidos diretamente com as ameaças. Mas isso não ocorreu. As iniciativas da direção da escola diante da grave situação não deram conta de garantir a integridade física, moral e pedagógica da professora Mara.

Professora de História há mais de 20 anos, desde sua juventude Mara tem participado de movimentos sociais e sindicais em defesa dos direitos dos trabalhadores, dos estudantes e da juventude. Nos últimos 16 anos, tem se dedicado ao desenvolvimento de um ensino de História e de Sociologia crítico e significativo, que podem ser verificados em seus treze artigos já publicados. Em 2012, Mara criou o blog ‘HEMETEC’ (‘História e movimento’), com notícias e reflexões sobre as áreas de História e Sociologia, aberto à participação dos estudantes (https://hemetec.wordpress.com) .

 

ONDA CONSERVADORA

Os fatos descritos acima, com toda a gravidade que carregam, infelizmente não são raios em céu azul. A onda conservadora que inundou o país nos últimos anos – fortalecida com os discursos oficiais de legitimação da violência e da discriminação social, racial, de gênero etc. – faz com que setores até então recolhidos partam para a ofensiva pública e aberta.

As manifestações assustadoras destes alunos de Franco da Rocha têm como pano de fundo as ideias do projeto ‘Escola sem partido’, que busca censurar professores e estudantes em sala de aula, a pretexto de impedir um pretenso conteúdo de esquerda. Por ironia, o discurso de ódio destes adolescentes, que têm 14 ou 15 anos, tem suas raízes numa clara ideologização de extrema direita que atua por fora da escola.

Infelizmente, sem se dar conta, transformam-se em massa de manobra de um projeto político que vai muito além da destilação do ódio e da violência, encobrindo um conjunto de ataques a direitos da maioria da população, como concretizado nas reformas da Previdência e trabalhista.

Ações de ódio e desrespeito dessa estirpe não podem ser toleradas, sob pena de se naturalizarem, contribuindo para o estabelecimento de uma sociedade fascista, discriminadora e ancorada na violência materializada pela censura à produção intelectual independente e pela ameaça à integridade física de quem quer que seja que o questione.

 

MOVIMENTO EM DEFESA DA DOCENTE

Fatos como esse não são aceitáveis. A violência, o preconceito e a intolerância não podem fazer parte do cotidiano de nossas escolas. Se hoje atingem a professora de Franco da Rocha, amanhã podem bater à porta de qualquer outra pessoa, sejamos estudantes ou trabalhadores.

Os ataques à professora Mara desencadearam movimentos em sua defesa. Ex-alunos da docente organizaram um movimento online (http://liberdadeeluta.org/node/509), com sugestões de envio de e-mails à direção da escola e à administração do Centro Paula Souza.

O Sinteps apoia integralmente a professora, colocando sua estrutura jurídica e política em sua defesa. O Sindicato tem a expectativa que a comissão contra o assédio, do Centro Paula Souza (COPAMS), citada no início desta matéria, investigue os fatos e tome as providências necessárias à defesa da integridade e da vida da docente, o que passa pela transferência compulsória destes alunos.

O Sinteps deseja saber se há casos semelhantes a estes ou com outros tipos de ameaças aos trabalhadores. O canal para denunciar e buscar apoio do Sindicato é Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..