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Pane em elevador assusta estudantes em Santos. Centro e governo ignoram infraestrutura precária em muitas unidades; Sinteps cobra atenção e prioridades

O único elevador em operação no prédio onde estão alojadas a FATEC Rubens Lara e a ETEC Escolástica Rosa, em Santos, sofreu uma pane na manhã de 19/3/2024, teve uma queda abrupta e parou entre andares. Houve um princípio de pânico, mas os cerca de 17 estudantes conseguiram sair em segurança, com o apoio de outros colegas.


O episódio desencadeou uma série de protestos no dia seguinte. Entidades representativas, como o DCE das FATECs, grêmio local, União Estadual dos Estudantes (UEE), União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Centro dos Estudantes de Santos e Região (CES), atlética e outras, organizaram atos e conseguiram ser recebidas pelo prefeito e pela vice-prefeita da cidade, respectivamente Rogério Santos e Renata Costa Bravo. Além das entidades, estavam presentes um estudante da FATEC e um da ETEC.

Eles relataram os problemas que vêm ocorrendo nas duas unidades, que funcionam num prédio na Av. Senador Feijó, 350, desde 2019. A carta entregue na prefeitura destaca que há vários problemas de estrutura e de segurança no local, “que afetam diariamente os estudantes, fazendo com a evasão se torne realidade na vida de alguns”. Entre as reivindicações, há o pedido de destinação de uma área para estacionamento de bicicletas e motos, uma vez que o estacionamento interno não prevê o uso pelos estudantes; reforço na iluminação e na segurança em frente e ao redor do campus, inclusive com funcionamento dos equipamentos (câmeras e catracas). Nos dias 14 e 15/3, as aulas presenciais chegaram a ser suspensas e substituídas pelas remotas, devido à falta de segurança no entorno.Imagens Fachada e bicicletario 

Os estudantes da FATEC e da ETEC também apontam problemas que poderiam ser resolvidos pelo Centro, como rachaduras, mau funcionamento do bebedouro e do ar-condicionado, entre outros. Eles solicitaram uma reunião com a superintendente, professora Laura Laganá, e aguardam retorno. Em nota à imprensa, a superintendência do Centro limitou-se a dizer que a manutenção foi acionada para o conserto do elevador.

“Estamos cansados de ver nossas escolas e universidades serem sucateadas, queremos uma estrutura decente pra estudar, um campus que ofereça qualidade e segurança”, diz Daniella Carolina Domingos Frota, estudante da FATEC Jales e membro do Diretório Central dos Estudantes (DCE) das FATECs. Presente nos atos em Santos, ela foi enfática: “Não iremos nos calar enquanto não existir um Centro Paula Souza com a cara dos estudantes.”

O Sinteps foi representado nas manifestações públicas em Santos por seu diretor Felipe Chadi, que deu apoio aos estudantes e reforçou as cobranças. Felipe e Daniella foram recebidos no gabinete da vereadora Telma de Souza (PT), onde receberam cópia de documento protocolado pela parlamentar na Câmara Municipal, com as reivindicações dos estudantes (clique para conferir).

Imagens Santos

Problemas afetam muitas unidades

Com as fortes ondas de calor nos últimos meses, o Sinteps vem recebendo várias queixas de professores e servidores administrativos em relação à precária estrutura de algumas unidades. “As salas de aula não têm ventiladores suficientes e, quando têm, são do modelo ‘tufão’, que fazem um grande barulho e atrapalham a aula”, relata um docente do Centro em Lins. “Nas salas em que temos ar-condicionado, ou não funcionam ou estão sem higienização, comprometendo a saúde de todos.”

Imagem_-_Cobra_na_FATEC_Pinda.jpg

Em Pindamonhangaba, trabalhadores da FATEC denunciam que o descuido com o mato, que cresce por toda parte, tem feito surgirem cobras, escorpiões, aranhas e outros. “Após muita indignação, a direção mandou cortar uma parte do mato nas calçadas, mas deixou tudo amontoado, novamente juntando bichos. É comum caírem aranhas nas nossas cabeças quando andamos pelos corredores. Não é possível acreditar que não tenha recursos para manter a unidade sem mato e limpa, pois isso é o mínimo”, reclamam.

No início de março, um temporal trouxe caos à ETEC Santa Ifigênia, na capital. O restaurante foi alagado com água de esgoto e demorou para que o local fosse limpo e consertado. “As equipes de limpeza são muito pequenas e, na parte da noite, não tem nenhum funcionário”, lamentou um estudante da unidade.

O Sinteps tem recebido várias denúncias como estas e vem cobrando da Superintendência a solução para estes e outros problemas de infraestrutura.

 

E o governador ainda quer cortar recursos da educação

O Centro Paula Souza, com suas 228 ETECs, 77 FATECs e 552 classes descentralizadas, em 363 municípios, mais de 316 mil alunos e 20 mil servidores, é uma rede que muito tem contribuído para a formação de qualidade e o desenvolvimento da sociedade. É inadmissível que a instituição não receba os recursos necessários para o seu bom funcionamento. Isso sem falar dos salários defasados e dos benefícios ínfimos (como o ‘vale-coxinha’ de R$ 12,00) recebidos por professores e servidores administrativos.

Mas o governo Tarcísio de Freitas acha que está tudo indo muito bem no Centro e na rede estadual. Em vez de melhorias, quer reduzir ainda mais os investimentos. Se a proposta de emenda constitucional (PEC) 9/2023, enviada por ele à Assembleia Legislativa no final do ano passado, for aprovada, as verbas para a educação pública paulista poderão ser reduzidas dos 30% das receitas do estado para 25%.

Junto com as demais entidades representativas do funcionalismo paulista, o Sinteps vem atuando na Alesp para impedir esse enorme retrocesso.

 

Boca no trombone

Se sua unidade enfrenta problemas como os relatados nesta matéria, ou outros, relate para o Sinteps. Use as redes sociais da entidade para denunciar e subsidiar o Sindicato nas cobranças.