Pandemia, EAD, ETECs, FATECs...UMA REFLEXÃO NECESSÁRIA!

A Diretoria Executiva do SINTEPS tem conversado com vários docentes, de várias unidades de ensino do CEETEPS, neste período de “recesso escolar”.


A reclamação é uníssona: PRAZOS INEXEQUÍVEIS; DOCUMENTOS DESNECESSÁRIOS; IMPOSIÇÃO DE REGRAS DE USO DE PLATAFORMAS E FALTA DE HUMANIDADE, SOLIDARIEDADE E RESPEITO. Some-se a isso o alto grau de estresse, que causa grande comprometimento da condição socioemocional dos docentes.


É assim que os docentes com quem temos conversado se sentem frente aos comunicados e memorandos do CEETEPS e assessorias.


Talvez considerem os docentes como “preguiçosos ou parasitas”, como apregoa o ministro Paulo Guedes, que não querem trabalhar e, portanto, as supervisões “têm que ficar em cima”...MESMO NO RECESSO... Imaginem quando “retornarmos à normalidade”.


No dia 23 de março, por meio do Ofício Sinteps 12/2020, questionamos a Superintendência e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia sobre o seguinte:

  1. Nem todos os alunos têm acesso àInternet;
  2. Nem todos os professores têm acesso àInternet;
  3. Nem todos os docentes e discentes possuem computadores pessoais para inserir atividades ou recebê-las;
  4. 4.Não será um tele treinamento que vai dar conta das dificuldades que muitos terão em usar as plataformas, visto serem nossos professores contratados para atividades presenciais, não sendo de seu domínio pleno o uso de plataformas;
  5. Há um pedido do governo para que não se lancem muitos vídeos na Internet neste período de crise, para não colapsar o sistema;
  6. As disciplinas de laboratório e oficinas não poderão ser feitas à distância.


Como o CEETEPS irá equacionar todos os problemas que irão surgir é uma reivindicação dos docentes que precisa ser urgentemente respondida. Até hoje não temos resposta, apenas um memorando que diz que os docentes estão em recesso... e ao mesmo tempo trabalhando à distância. Parecem se esquecer de quea docência é um trabalho sério, requer planejamento e estabilidade por parte do empregador para exercer a função com respeito aos alunos. Até pode ser que a maioria dos governos esteja atônita frente a uma pandemia sem precedentes na história recente do país e do mundo, mas não dá para aceitar a falta de sensibilidade dos burocratas do CEETEPS, que ampliam mais ainda a fragilidade do momento.


Repetimos: Estamos todos com receio de perder nossos amigos, familiares e colegas de trabalho. Estamos respeitando o isolamento social determinado pelo governo, com afazeres domésticos, de cuidados com familiares, de orientação dos filhos.A ansiedade do momento é grande e cresce a cada dia, com as notícias de que nem começamos o pior da pandemia.


Queremos o respeito ao recesso, a paz de espírito que o momento impõe.


Se o CEETEPS quer documentos para provar ao governo que somos sérios, use nossos Planos de Trabalho Docente (PTDs). TODO DOCENTE JÁ FEZ e já incluiu nos respectivos sistemas das escolas.


Se querem obrigar o EAD, deixem os docentes usarem suas plataformas habituais com seus alunos. NÃO OBRIGUEM USAR A MICROSOFT. Este sistema tem como único objetivo “fiscalizar” o trabalho docente, como se fossem estes uns farsantes que não querem trabalhar.


Deixem os docentes livres para realizar o trabalho pedagógico que tem dado ao CEETEPS o título de instituição de qualidade.


O EAD não é método adequado para o trabalho pedagógico de qualidade. Qualquer educador sério rechaça o EAD, principalmente no ensino médio, como é o caso das ETECs. O que dizer das disciplinas práticas, que têm salas e ambientes físicos especiais,pois exigem a presença e a interação para o aprendizado das técnicas profissionais? Na mesma grandeza, podemos rechaçar o uso de plataforma EAD para o ensino tecnológico.


Mas, será uma imposição do sistema em virtude da pandemia? Então, vamos praticamente “passar nossos alunos por decreto”, para não assumir que uma calamidade pública se abateu sobre o mundo, com medo e morte em toda a parte?


É preciso ressaltar que o Centro Paula Souza está se antecipando ao próprio MEC e ao Conselho Nacional de Educação (CNE), causando tensão e aflição desnecessários.


Se vai ser uma imposição do sistema estadual de ensino, há que haver uma normativa clara de como isso vai funcionar.O Sinteps acredita que qualquer solução para superar as dificuldades impostas pela pandemia só deve ocorrer garantindo a participação de todos os envolvidos, e não simplesmente de despachos vindos do gabinete sem nenhum tipo de consulta aos interessados.