Os professores da FATEC Ipiranga divulgaram nota de repúdio aos fatos ocorridos na noite de 29/3, quando representantes do DCE das FATECs foram reprimidos por policiais militares quando tentavam conversar com os estudantes. Acompanhe:


“Nós, docentes e funcionários da Fatec Ipiranga, abaixo relacionados, repudiamos a ação da Polícia Militar em nosso Campus. O aluno da Fatec e presidente do DCE Henrique Domingues foi preso com violência. Além disso, alunos que tentavam evitar a prisão foram atingidos por gás pimenta.


Henrique pretendia conversar com os estudantes e alertá-los quanto à tentativa do Governo de pôr em discussão a cobrança de mensalidades em cursos de Pós-Graduação das Fatecs. Somos trabalhadores em educação e não podemos apoiar que a força seja usada para reprimir a manifestação de um discente e de sua entidade representativa. Lutar por direitos não é crime nem caso de polícia.

Defendemos o diálogo, a democracia e o direito de expressão para professores funcionários e alunos.”

 

Roberto Nicolosi (representante sindical Fatec Ipiranga)
Manoel Francisco Guaranha
Miguel Marilio Saad Junior
Rony AlibertiHergert
Fernando Cachucho da Silva
Carlos Alberto Piña Aragão
Kelly Cristina Marques 
Marcos Pansarin

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A seguir, confira nota divulgada pelo Sinteps logo após os fatos:

 

Sinteps repudia: Prisão de presidente do DCE das FATECs é represália à denúncia de ameaça de privatização


O presidente do Diretório Central de Estudantes (DCE) dasFATECs, Henrique Domingues, foi preso na noite desta quarta-feira, 29/3, nas dependências da FATEC Ipiranga. Ele e outros membros do DCE estavam na unidade para falar sobre o congresso da entidade e discutir com os estudantes a iniciativa do governo do estado de enviar ao Conselho Estadual de Educação (CEE/SP) uma “consulta” sobre a possibilidade de cobrança de mensalidades nos cursos de pós-graduação.


A “consulta” estava na pauta da reunião do CEE na manhã de 29/3, mas foi retirada após a convocação de manifestação pública pelo DCE, com o apoio do Sinteps.


Chamada pela diretoria da FATEC Ipiranga, a polícia agiu de forma truculenta e arbitrária, uma vez que os diretores do DCE têm autorização do Centro Paula Souza para falar com os alunos nas dependências de todas as faculdades de tecnologia.Segundo relato da estudante da Fatec Ipiranga, Fernanda Matos, Henrique foi levado para o 83º DP, sendo liberado algumas horas depois.


Vale lembrar que a FATEC Ipiranga “ganhou” o nome do Pastor Enéas Tognini, por determinação do governador Geraldo Alckmin, no início deste ano. Tognini é fundador da Igreja Batista do Povo (IBP) e um dos líderes do movimento de “avivamento espiritual” que deu origem à Convenção Batista Nacional (CBN), tornando-se presidente da entidade posteriormente. Ficou famoso pelo apoio irrestrito ao regime militar.


Esperamos que a direção da FATEC Ipiranga não se inspire no nome dado à unidade para agir contra a comunidade e os interesses da educação pública!