A campanha salarial 2010 está lançada!

Trabalhadores e estudantes realizam grande ato em 5/3. Superintendência qualifica luta de ‘desonesta’ e ‘terrorista’

6/3/2010  

A reação da professora Laura Laganá, superintendente do Centro Paula Souza, surpreendeu os membros da Comissão em Defesa das ETEs e FATECs, formada por dirigentes do Sinteps e de entidades estudantis, durante reunião no dia 5 de março. Ela mostrou irritação diante da campanha promovida pelos estudantes e pelo Sindicato nas unidades, durante a convocação para o ato público de lançamento da campanha salarial 2010 (veja abaixo). Para ela, são “desonestos” e “terroristas” os alertas feitos à comunidade, de que está em curso uma nova investida do governo tucano no sentido de acabar com o vínculo entre o Centro Paula Souza e a Unesp. Sem negar a intenção do desvinculo, ela não conseguiu responder porque a comunidade não está sendo chamada a participar, democraticamente, do debate sobre o que pode significar o desvínculo.

“Não há nada de desonesto nas denúncias que estamos fazendo, pois tudo está exaustivamente documentado, com documentos do próprio governo, e pode ser conferido no site do Sinteps”, rebateu a diretora Silvia Elena de Lima.

“A Superintendência divulgou documento negando que esteja tramitando no Conselho Universitário da Unesp o processo de desvínculo, mas toda a comunidade teve acesso ao ofício que circulou naquela universidade sobre isso”, criticaram os estudantes presentes, oriundos de vários grêmios de ETEs e centros acadêmicos de FATECs. Eles também cobraram da professora Laura um posicionamento a respeito da repressão ocorrida em várias unidades. As diretorias de algumas unidades do ABC chegaram ao extremo de chamar a polícia militar para impedir a mobilização dos estudantes. Ao melhor estilo da ditadura.

“Desonesto e terrorista é o governo, que mais uma vez tenta romper o vínculo, mas não joga claro com a comunidade, informando o que viria depois. Com base nos documentos do próprio governo, temos todos os motivos para temer a privatização e a queda da qualidade”, enfatizou Neusa Santa Alves, presidente do Sinteps.

Reivindicações

Durante a reunião, a professora Laura Laganá recebeu das mãos dos dirigentes do Sinteps a Pauta Específica 2010 dos trabalhadores do Centro, na qual constam as reivindicações econômicas e de benefícios (confira a íntegra no site). Novamente, ela alegou que não tem “competência” para responder às questões econômicas. Os representantes do Sindicato lembraram-na de que cabe a ela dar início ao processo da campanha salarial da categoria, encaminhando a Pauta às secretarias de Desenvolvimento, de Gestão e da Fazenda.

“Também vamos protocolar a Pauta junto às três secretarias, mas é responsabilidade da Superintendência encaminhá-la e fazer todos os esforços para que haja negociações”, disse Neusa. Ela cobrou o estabelecimento de um cronograma de negociações o mais breve possível, uma vez que a data-base da categoria é 1º de março.

Os estudantes também entregaram à professora Laura sua pauta de reivindicações, igualmente solicitando um cronograma de negociações. Eles pedem a democratização do processo de discussão sobre o desvínculo, defendem a manutenção do vínculo, a qualidade em igualdade entre todas as ETEs e FATECs, a expansão com qualidade, entre outras.

Ato com mais de 300 pessoas

O ato que precedeu a reunião entre a Comissão e a Superintendência reuniu cerca de 300 trabalhadores e estudantes no campus da FATEC/SP. Havia funcionários e professores de São Paulo, Catanduva, Mogi das Cruzes, São Caetano, Santo André, São Bernardo, Presidente Prudente, Sorocaba, Guaratinguetá, Campinas, Mococa e Espírito Santo do Pinhal. Os alunos eram oriundos de dezenas de ETEs e FATECs. Entidades representativas estudantis (UBES, UPES, UEE, UNE, ANEL, vários grêmios e centro acadêmicos) contribuíram na convocação e fizeram uso da palavra durante o ato. A deputada Maria Lúcia Prandi (PT/SP) compareceu e manifestou seu apoio.

O objetivo foi lançar a campanha salarial 2010, que tem 3 eixos: reposição salarial, defesa do vínculo entre Ceeteps e Unesp, democratização do Centro. Os dois últimos envolvem diretamente os estudantes.

 

Vamos construir a greve

O Sinteps está propondo a categoria que se mobilize para ir à greve, caso não tenhamos retorno positivo às nossas reivindicações. O calendário é o seguinte:

De 8 a 30 de março: Assembleias setoriais, nas unidades, para avaliação da proposta de greve e preparação da campanha salarial.

31/3: Às 14 horas, assembleia geral para deliberação sobre a greve, na sede Sinteps, em SP.

6/4: Ato em frente à Secretaria de Desenvolvimento, em SP.

6/4: Se não houver retorno positivo do governo e da superintendência do Ceeteps, início da greve.

Leia mais sobre as nossas reivindicações e o calendário de mobilização nesta mesma seção do site do Sinteps, nas notícias que seguem. E vamos à luta!!!

Veja as fotos do ato de 5/3/2010. Clique aqui!

 

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